Análise 01: Fedora Core 6

Análise 01 – Fedora Core 6
Esta é a primeira análise que estou escrevendo neste site. Pretendo de agora em diante, sempre que tiver tempo, testar novas distribuições e novos softwares e deixar minhas impressões aqui.

Parte do que escrevi aqui foi baseado no documento Release Notes do Fedora Core 6, onde obtive links e alguns detalhes sobre algumas ferramentas.

Resumo: Minha avaliação foi bastante positiva, tanto que já migrei meu notebook e meu desktop para a nova versão do Fedora (ok, já usava o Fedora Core 5, uma migração dessas é menos traumática). No Desktop eu fiz a instalação “do zero”, formatei a partição e instalei o Linux. No notebook, atualizei utilizando o yum (onde aproveitei e escrevi este tutorial). Recomendo a migração para quem já usa outra versão do Fedora e recomendo um teste para quem usar outra distribuição de Linux.

O primeiro ponto que me chamou a atenção já foi durante a instalação. O anaconda (nome do instalador) está com suporte a repositórios rpm. Agora é possível escolher pacotes que estão no Extras ou mesmo adicionar outro repositório manualmente, como o livna por exemplo.

suporte a repositorios no anaconda

Outra ponto que chamou a atenção foi a mudança da fonte padrão do sistema, desde o instalador até o Gnome, para o DejaVu. Na minha opinião, ficou bem mais legível, principalmente no notebook.

Assim que comecei a usar, fui verificar coisas óbvias, como a tradução que, apesar de ter algumas ferramentas que ficaram sem tradução, ficou melhor que nas outras versões. Isso provavelmente foi devido a um maior comprometimento da comunidade seja traduzindo ou revisando traduções (sugiro aos interessados participar da lista de tradução do Fedora).

Outro ponto que mostra um comprometimento maior é quando se fala dos repositórios não oficiais do Fedora. Os três principais (livna, atrpms e freshrpms) já suportavam a versão nova no máximo 24 horas após o anuncio oficial do lançamento.

Algo que foi pedido e foi atendido é o applet que avisa quando tem updates novos (a tela abaixo eu capturei na versão test 3, não teve tanta atualização assim na versão final ainda :)

applet de updates do Fedora Core, o puplet

Outro ponto que foi bastante melhorado é a granularidade das dependências. Na versão anterior do Fedora, não era possível instalar o evince sem instalar o nautilus, bem como instalar o beagle sem o evolution e também instalar o NetworkManager sem o bind e o caching-nameserver.

No meu notebook de trabalho (um Dell Inspiron 5100) eu vi pela primeira vez um Linux com suspender/hibernar funcionar “de fábrica” ! Qualquer outro Linux que já testei eu tive que configurar algo. Em alguns aplicar patches, em outros mudar arquivos de configuração para buscar o parametro correto. Mas nesta versão do Fedora, funcionou sem ter que alterar nada.

Se sua placa de video for compatível (este artigo tem uma tabela com fabricantes e modelos de placas compatíveis) e tiver com o driver instalado, basta clicar num botão para ter o AIGLX funcionando. Muito mais simples que instalar vários pacotes e executar vários comandos, como foi o XGL.

basta clicar em um botão para ter efeitos 3D ativos no Desktop

O system-config-printer foi reescrito para suportar o CUPS 1.2. Além de ter ficado bem mais rápido, ficou mais intuitivo configurar uma impressora.

Na administração do sistema, o Fedora agora tem o virt-manager que é uma interface gráfica para gerenciar o XEN. Como não uso o XEN, não vou entrar em detalhes aqui. Ainda na administração, agora o sistema dispõe de um gerenciador gráfico para o LVM (Logical Volume Manager) onde com poucos cliques se pode verificar/modificar o seu arranjo de volumes lógicos.

Na segurança do sistema, o Fedora agora dispõe do setroubleshoot que é uma ferramenta gráfica para analisar logs do SELinux. Muitos administradores acabavam desabilitando o SELinux por não saber lidar com ele. O setroubleshoot informa qual aplicação gerou erro, porque gerou o erro e como fazer para que o erro não aconteça mais, se isso for desejável. Dan Walsh escreveu um artigo que mostra o funcionamento desta ferramenta. Vale lembrar que o que ela faz já era possível fazer antes, mas em modo texto, usando as ferramentas audit2why e audit2allow.

Para quem gosta ou está acostumado a usar o sudo, o Fedora traz um arquivo /etc/sudoers muito bem preconfigurado com sugestões para restrições de comandos administrativos.

Algo que gostei foi ver o GnuCash ter voltado para o Core da distribuição. É uma ferramenta boa para gerenciar finanças, vale a pena conhecer. Outra mudança foi o Mozilla não ser mais incluído no Core (e nem no Extras). No Core ele foi substituído pelo Firefox e pelo Thunderbird mas, para quem preferir a suíte completa, o SeaMonkey está no Extras pronto para ser instalado pelo yum.

Para finalizar, vou escrever sobre o desempenho do sistema. O Fedora inicializa aplicações até 50% mais rápido devido ao uso do DT_GNU_HASH. Na prática, observei grande melhoria, mas não posso afirmar que chegou a 50%, só posso afirmar que o OpenOffice agora está abrindo num tempo aceitável. O sistema parece responder melhor que versões anteriores, os menus abrem mais rápido. Provavelmente devido a nova versão do Gnome (não vi em nenhum lugar citando o motivo disto). O uso de memória ram está um pouco mais baixo que na versão anterior (isto realmente é devido ao Gnome) e finalmente, um ponto que muitos reclamaram, o parser xml do yum foi otimizado e agora está bem mais rápido utilizar o yum.

Concluindo: valeu a pena atualizar o sistema e recomendo esta atualização para quem já usa outras versões de Fedora. Quem está mais acostumado com outros Linux, pode não gostar do jeito fácil de configurar as coisas no Fedora, são várias ferramentas que auxiliam o processo graficamente. Mesmo assim eu recomendo fazer um teste nesta versão do Fedora. Quem sabe você não muda de opinião e migra para esta distribuição ? ; )

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